Papo de louco





22 de dezembro de 2016. Um dia normal de férias de verão.
Entro no facebook e vejo um post que minha amiga compartilhou, de um homem chamado William Binder, que mostra umas fotos que nos faz refletir sobre nossa existência, o que tem lá fora além de nós e o que afinal somos aqui. Sempre tive umas conversar muito loucas com essa mesma amiga á muito tempo atrás, e hoje me relembrei delas e resolvi aqui juntar esse tema com outro que eu já estava programando em escrever.


Já se perguntou o que você é nesse mundo? Eu já, várias vezes. Sempre imagino uma câmera focada em mim que se distancia ao máximo até chegar ao espaço, como no google earth. E penso - sou um nada. Literalmente. Vivemos como formiguinhas, andando por aí tentando seguir um rumo que na realidade nem sabemos qual é. Somos pequenos demais diante de tudo que existe lá fora. Somos um pequeno pontinho no mar e o mar é um pontinho na galáxia e por ai segue. Existem mais estrelas no espaço do que grãos de areia em todas as praias da Terra. Acho isso tão incrível e ao mesmo tempo tão angustiante. Já cansei de me perguntar o como tudo isso surgiu assim, sem sabermos o motivo, de me perguntar o que nós, esse pequeno pontinho no universo pode representar ou significar alguma coisa. E desisti de aprofundar nesse assunto, pois entendi que é uma coisa entendível. Questões que ainda não poderemos responder. Mas tudo isso me fez pensar o como tudo é tão incrível, tão perfeito. Somos formiguinhas no espaço com milhões de pensamentos na mente, com sentimentos, angustias, alegrias, vivendo como se tudo fosse tão grande, como se nossos problemas fossem o fim do mundo, como se a opinião do outro sobre você fosse interferir alguma coisa, ou o término com seu namorado fosse o motivo para sua profunda infelicidade.
Na realidade quando você percebe que você é um nada no universo, com apenas alguns anos de vida nesse mundo o qual você não sabe o porquê foi parar nele, você entende que seus problemas não devem ter, ou não tem, essa profunda relevância. É tudo tão passageiro, é tudo tão impermanente, e tudo tão pequeno. Nosso tempo aqui é tão curto e incerto. Pare e pense, quando você se for- para aonde vão os problemas que você colocou em sua vida? Aquela angústia que você guardou quando precisava dizer a verdade? Aquele medo de chamar o cara que você curte para sair? Aquela mágoa que você guarda no peito a anos por uma atitude ruim do seu amigo, ou aquele orgulho que acaba te prendendo para muitas coisas da vida? Esses sentimentos não vão para lugar nenhum, eles somem junto com você e a única coisa que você percebe, ao final da vida, é que poderia ter deixado eles para lá e ter aproveitado ao máximo o tempo que teve aqui. Lembrando que não estou falando para não possuirmos sentimentos, somos humanos e sentimos até demais. Estou querendo dizer que em situações ruins, podemos enxergar o todo e repensar a importância daquilo em frente à nossa pequena existência e ao tempo que temos aqui, e pensar se esses sentimentos não deveriam ser trocados rapidamente por outros melhores.

Pensar que você é um nada perto de todo esse universo tão grande e infinito me faz pensar que é por isso que devemos fazer nossa vida um tudo. Fazer nossa vida um tudo para dar um significado a tudo isso que nunca poderemos entender. Fazer nossa vida um tudo pois nossos problemas aqui não seguem rumo nenhum, e o tempo que temos aqui não é infinito.

A palavra que me definiu tudo isso - gratidão. Agradecer a minha vida e a minha existência, apesar de eu não saber o motivo dela. Agradecer por fazer parte desse pontinho em algum lugar visto de cima. Agradecer meus momentos aqui, e assim fazer deles os melhores. Agradecer pela minha vida. Minha existência, minha participação apesar de minúscula em tudo isso. É uma sensação gostosa, me ajuda a jogar fora de meu interior todos aqueles sentimentos ruins que eu crio. Me faz perceber que só eu posso fazer da minha existência um privilégio, porque para o universo ela não é nada. Me faz valorizar cada momento que eu tenho, valorizar a oportunidade de viver. Cada inspirada e expirada, que me fazem sentir viva e presente no agora.
Poderia muito bem entrar em constante aborrecimento por todos esses pensamentos de que somos um nada e assim, nada importa. Mas eu iria esquecer que importa sim, mas apenas para o meu ser interior, e que se estou aqui, devo fazer com que meu curto tempo valha a pena.

Faz de sua existência um tudo. Se você nasceu nesse mundo, veio por algum motivo. E se não houverem motivos da sua existência para o universo, faça com que existam para você. Sua vida é aqui, e não lá. Faça do seu curto tempo nesse inexplicável mundo o melhor que poderia ser para você.

Faça da sua vida um universo, cheio de possibilidades. Você é um planeta dentro dele, e as pessoas que entrarem na sua vida são outros. As mais próximas e mais especiais vivem na mesma galáxia que você, algumas podem ser maiores do que outras, mas o que importa é a importância que cada um deles dão a si mesmo, dentro deles, e não fora. As menos próximas vivem em outras galáxias. Todas pessoas conectam-se de alguma forma, mas o mais importante é lembrar que cada uma vive em seu próprio universo e ele é cheio de possibilidades, inclusive bater de vez em quando na porta de outros universos para saborear um pouco dele. Basta saber utilizar essas possibilidades e fazer do seu universo um lugar maravilhoso para você.

Se a natureza não pode fazer da sua existência um tudo, faça dela um tudo para você. E seja grato por isso.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O QUE VOCÊ QUER SER QUANDO CRESCER?

Ame-se.