4 meses na Alemanha




   16 de Junho de 2017. 
Antes de começar o texto, queria dizer que sei que hoje não é dia 16 (não estou louca viu gente), mas eu comecei a escrever nesse dia, já que foi quando completei 4 meses aqui e deu que não consegui acabar e postar nesse mesmo dia. Mas o foco do texto é o título e isso que importa, até porque só se passaram 9 dias.


            Hoje fazem 4 meses que eu embarquei a minha jornada para Alemanha, lembro daquele dia melhor do que eu lembro meu dia de ontem. Minha cabeça estava no céu, meu sorriso mais largo que o do gato da Alice, meus sentimentos misturados, choros de felicidade e ao mesmo tempo tristeza por ter que passar um ano longe da minha família, de longe de tudo que sempre esteve comigo durante longos anos da minha vida.
            Entrei na sala de embarque e nada fará me esquecer que eu quase perdi meu voo para o Rio - fui para lá primeiro, falei isso lá no meu vídeo no Youtube - hoje eu dou risada, mas no momento foi horrível. Estava sentadinha na sala de embarque esperando para entrar no avião, até que escuto "última chamada para o voo número tal com destino a Galeão" parei por um segundo e olhei minha passagem, e não é que era o meu voo? Perguntei para a mulher ao meu lado se ela sabia onde era o meu voo, porque estava escrito na minha passagem que era no portão 4, mas a novata aqui que nunca tinha pegado um avião sozinha nem pensou na possibilidade dos voos trocarem de portão né. Olhei com ela a tela onde tem os voos com todos os dados, essa mesma que eu deveria ter olhado antes, e estava escrito "portão 9" para o meu voo. Agradeci a mulher e sai em disparo, alcancei 5 portões em creio que uns 2 minutos, desviava minha mala por tudo que passava e sorte a minha de não ter atropelado ninguém. Cheguei lá e a mulher falou "já estava pedindo para tirarem suas malas do avião" - ai meu coração. E mal imaginava eu o quanto iria ter que correr nesse meu intercâmbio para não perder os trens e ônibus.
            Lembro exatamente do momento que entrei no avião, todos ja sentados esperando decolar, e eu passando entre os corredores procurando o meu lugar. Sentei na última fileira a esquerda, na tão querida janelinha. Aquele dia amanheceu um céu lindo, azul do jeito que faz meus olhos brilharem. Quando sentei na cadeira foi como se todos os meus problemas - aqueles que eu tanto crio em minha mente - tivessem desaparecido, comecei a lembrar da cena correndo para não perder meu voo e ri sozinha, falei comigo mesma como sempre faço nos momentos que me encontro feliz - "meu deus bianca, o intercâmbio começou no grau já" - pensei de forma sarcástica, brincando comigo mesma. E por ai minha viagem continuou. E há 4 meses aqui estou.
            Há 4 meses atrás sai da minha zona de conforto naquele mesmo minuto que dei o ultimo tchau para minha família e amigos, e não fazia a mínima ideia de como seria isso quando meu avião pousou na Alemanha.
            Há 4 meses atrás minha vida mudou de um dia para o outro, e nesse mesmo dia, se iniciou um processo de mudança dentro de mim.
            Não imaginava ser tão difícil ficar longe de casa, meus pensamentos - pensamentos de pisciana - me faziam voar para muito longe, me fazendo acreditar o quanto tudo ia ser bom, e não que eu não soubesse que iriam existir momentos difíceis, eu até sabia das dificuldades que eu iria ter que enfrentar, mas nada era realmente real, eram simplismente pensamentos. Tudo era simplesmente pensamento. Lembro de um comentário que fiz em uma das minhas últimas aulas de inglês desse ano com a minha mãe, dizendo que apesar de todo amor pela minha família e toda minha vida no Brasil, acreditava ser uma pessoa desapegada, que conseguiria viver fora tranquilamente, e até imaginava já fazer alguma faculdade por aqui (Alemanha). Ai eles (meu professor e minha mãe) até me falaram que eu dizia tudo aquilo porque ainda não sabia o que era ficar longe de tudo, mas sonhava tanto que nem dei bola.
E ao chegar aqui percebi que eu realmente não tinha a mínima noção do que era ficar longe de tudo, e principalmente da minha família. E não é um trabalho nada fácil, mas te trazem infinitos ensinamentos.
            Durante esses 4 meses eu senti com corpo e alma a falta de um abraço, de uma voz e até de uma reclamaçãozinha, senti a importância que certas pessoas fazem para minha vida e percebi quem são realmente essas certas pessoas. Ás vezes precisamos tirar um tempinho de quem nós amamos, daquelas pessoas que vivemos diáriamente, para entender o quão profundo é esse sentimento, muitas vezes pelo convívio, deixamos certos valores de lado e tudo se torna normalidade, tudo passa a ser OK. E a partir do momento que nos distanciamos, percebemos a falta que tudo aquilo faz, e que todos os problemas que você já passou, ou mesmo passava, com aquelas pessoas acabam, simplismente deixam de existir, porque o que sobram são saudades, e vemos que nada mais importa do que ter aquela pessoa ao seu lado. E você começa a valorizar as pequenas coisas da vida, deixando tudo que é insignificante pra lá. Entendi o que é ficar longe de tudo, e uma das coisas que aprendi com isso é sobre o valor das pessoas em nossas vidas, e principalmente o valor de uma família, que as vezes podemos reclamar de tê-la por perto, mas isso porque não sabemos o que é tê-la por longe. E por isso eu digo agora: dê valor aquelas pessoas que estão ao seu lado, que lutam para o seu melhor, que te ajudam, de dão apoio, que estão lá quando ninguém mais está, que te disponibilizam caminhos para sua vida. Valorize-as porque são elas que fazem diferença em sua vida, e são as primeiras que você sentirá falta, por um instante da sua vida, ou quem sabe pelo resto.
            Tive já meus momentos home sick, que pra quem não sabe, são momentos horrivéis em que a saudade de casa te domina e se pudesse, você pegaria um avião só para conseguir um simples abraços dos seus pais ou seja lá quem for. Nos primeiros meses foi assim... Tudo ainda estava devagar, não estava acostumada a nada, era tudo novo e diferente, algumas coisas me encantavam, outras eu estranhava demais. Lembro o como tudo andava devagar no meu 2 segundo mês aqui, sentia um vazio dentro de mim, e hoje sei que tudo aquilo fez parte do meu processo, tudo aconteceu da forma e no tempo que tinham que acontecer. E eu já tentei atropelar o tempo algumas vezes (de vez em quando ainda atropelo sem perceber), esquecendo que as coisas iam andar, e só me restava ser paciente. Naquele momento eu queria que as coisas já estivessem acontecendo, tudo fluindo e dando certo,e hoje enxergo o quanto estava adiantando o tempo, adiantando a vida.
            E ao decorrer desses 4 meses tudo foi mudando, inclusive eu, que cheguei uma pessoa á essa familía hospedeira, e hoje já sou outra. Andei aprendendo e ainda ando aprendendo, que tudo tem sua hora para acontecer, que não adianta achar que as coisas vão cair do céu da noite pro dia, tudo requer um  certo tempo, porque afinal, processos requerem tempo. E se você fizer um pouquinho dele todos os dias, dando o melhor que você pode dar, você nem vai ver o tempo passar direito, e os resultados vão, aos poucos, começar a aparecer.
Fui vivendo dia a pós dia aqui nesse meu intercâmbio e as coisas começaram a ter sentido. Uma vez minha amiga, que já fez um intercâmbio me disse uma coisa que me fez refletir demais – uma certeza você sempre tem, que a cada dia que passa em seu intercâmbio, seu dia de voltar fica mais perto, você esta cada dia mais perto de voltar para sua, seus amigos, sua cultura... e tudo estara lá te esperando. Mas esse seu ano ai é unico, ele não volta nunca mais, lembre-se sempre disso, e faça o melhor que pode fazer. - E a realidade é essa, tudo isso aqui que estou passando um dia (daqui mais ou menos meio ano) vai acabar, essa vida aqui nesse meu intercâmbio nunca mais existirá, mas minha vida no Brasilizinho, minha mãe, irmã, pai, toda minha família e amigos estarão lá para mim de volta.
Então eu entendi que está mais do bem estar longe de tudo, está tudo bem ficar um momento da minha vida sem as mesmas pessoas, família, lugares e tudo o que for. Entendi que é maravilhoso você dar um tempo de tudo e de todos, daquelas mesmas coisas que você sempre teve a disposição, é maravilhoso ter um tempinho só pra você. E é maravilhoso porque seu mundo começa a aumentar, sua cabeça a crescer e você começa a entender que a vida é mais do que você sempre achou ser, e vai descobrindo que você pode mais do que imaginava, entendo do que é capaz.
Mas não digo tudo isso como se meus momentos de bad nunca mais fossem existir, é claro que existem, vida perfeita só no instagram né gente. Eu tenho sim momentos que só queria poder chegar em casa – na minha casa de verdade – e não precisar dar satistação para nada; momentos em que só queria chegar pro meu pai e falar “me leva em tal lugar papi” e não precisar depender dos horários dos ônibus e o que for; momentos que eu queria que as coisas estivessem escritas em português; momentos em que eu só gostaria de um abraço apertado dos meus pais.
Existem momentos em que me sinto um pouco fraca para continuar essa minha jornada, desmotivada ou mesmo cheia de preguiça, desejando minha zoninha de conforto no Brasil. As vezes eu caio nas armadinhas dos meus pensamentos e acabo esquecendo que eu não sou eles...
            Como disse no meu texto anterior: não é sempre que vou estar triste por não estar em casa, mas também não é sempre que vou estar feliz por estar aqui. São sentimentos atrás de sentimentos, e como lidar com eles? Sabendo que eles são normais e fazem parte do meu processo, enxergando que eu posso ter sim momentos escuros também, e o que eu começei a fazer nesses momentos é olhar para dentro de mim, lembrar da minha essência e de tudo que eu ando fazendo de melhor, todos os passos que eu ando dando para alcançar meus objetivos. E sempre lembro que, daqui menos de um ano essa minha vida aqui não existirá mais – nunca mais – então o que posso fazer? O melhor que puder, para no final, levar todos os frutos que eu plantei aqui, nesse intercâmbio na Alemanha de 2017, para o Brasil, que estará de braços abertos esperando a minha volta, e a minha vida lá eu sei que ‘sempre’ terei, mas aqui, ela é unica.

Muito grata mais um mês aqui vivido, agora partiu para os outros 6 meses e alguns dias. 

E independentemente de quem esteja lendo aqui, te agradeço imensamente por isso, é realmente muito importante para mim. Um grande beijo e boa semana. 

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