Bem-vindos a minha jornada
Uma brasileira paulistana, de 17
anos no momento fazendo um intercâmbio na Alemanha de 11 meses, que agora no
caso 7, com o principal objetivo de se encontrar, de se descobrir conhecendo de
pouquinho em pouquinho esse mundo tão diverso que eu, e todos aí, se encontram desde
o dia que nasceram. Não sei vocês, mas eu sempre quis sair por aí conhecendo
vários lugares que não se pareçam com o meu, em quanto a cultura, comportamento,
mentalidade, e por aí vai. Sempre me imaginei viajando, mas nunca teria a noção
de quanta coisa que poderia ganhar com isso.
Cada um de nós guarda um universo dentro
de si, cada um de nós tem uma missão nessa vida. Eu ando buscando a minha, ando
cheia de incertezas, cheia de questionamentos do por que tais coisas são como
são ou como não são como deveriam ser, e se é que deveriam ser. É tudo meio confuso.
Guardo um universo bem intenso dentro de mim, que as vezes nem eu consigo
compreender, mas com a vida a gente vai se descobrindo.
A questão é que tem coisas que eu
não consigo deixar apenas guardadas em mim, e quando começo a escrever as
palavras vão saindo sem eu mesmo me esforçar, e ao mesmo tempo sinto um alívio
dentro do meu peito, como se eu tivesse cumprindo uma missão e todos aqueles
sentimentos ruins que se encontravam dentro de mim saíssem completamente. E
eles saem mesmo, mas não posso dizer que nunca mais vão voltar.
Guardo um mundo aqui dentro e tenho a vontade de compartilhar um pouquinho dele. Não sei quem vai ler isso aqui, mas seja lá quem você for eu te agradeço por tirar um tempinho do seu dia para ler o que eu tenho a dizer, isso é muito importante para mim, e se você está lendo, saiba que, mesmo que eu não saiba quem você é, é muito importante para mim.
Guardo um mundo aqui dentro e tenho a vontade de compartilhar um pouquinho dele. Não sei quem vai ler isso aqui, mas seja lá quem você for eu te agradeço por tirar um tempinho do seu dia para ler o que eu tenho a dizer, isso é muito importante para mim, e se você está lendo, saiba que, mesmo que eu não saiba quem você é, é muito importante para mim.
Eu sempre tive muita vergonha das
coisas que escrevia, quando as pessoas liam os meus textos perto de mim cobria minha
cara e fingia não estar ali, mas o tempo foi passando e as coisas (como tudo na
vida) mudaram. Hoje eu amo os textos que faço e me sinto muito feliz quando sou
retribuída com um simples comentário que for, mas tenho que dizer que meu
inconsciente as vezes acaba me trazendo pensamentos negativos. Outro dia
resolvi falar sobre ansiedade nos meus Stories no insta, o que eu estava
sentindo e meu pensamento sobre aquilo, ‘quem sabe ajudará alguém’ – pensei.
Mas me senti um pouco incomodada assim que postei aquilo, pelo o que as pessoas
iriam pensar daquela mensagem. E enquanto pensava naquilo, outros pensamentos
vieram a minha mente, e consegui enxergar tudo de outra forma.
Vivemos em um mundo totalmente globalizado, as notícias correm de país a país, as mensagens de celular a celular em cada segundo que passa, tudo muito tão rápido e fácil de compartilhar. São fotos no Instagram, publicações no Facebook, e por aí vai.
Vivemos em um mundo totalmente globalizado, as notícias correm de país a país, as mensagens de celular a celular em cada segundo que passa, tudo muito tão rápido e fácil de compartilhar. São fotos no Instagram, publicações no Facebook, e por aí vai.
“Por que
eu me senti incomodada ao falar aquilo na rede social e me sinto super segura
quando posto fotos minhas bonitas, ou de lugares maravilhosos que eu ando
conhecendo, e seja lá mais o que for?”
Todos os dias abrimos
o Instagram ou seja lá qual rede social for. Postamos e olhamos fotos sorrindo,
com a cara bonita, em lugares legais, com os melhores amigos e família, e todas
as coisas que apreciamos em nossa vida. Deslizamos a tela do nosso celular e as
fotos são infinitas. Mas a realidade por trás daquilo tudo é outra. Não que necessariamente
essas pessoas estejam infelizes ou passando por momentos difíceis, ou que
aquilo que enxergamos não seja verdadeiro, pode ser ou não, mas o que eu quero dizer é que elas, como qualquer
outra pessoa, são pessoas normais, vivendo suas vidas como qualquer outro ser
humano aqui na terra, que passam também por momentos não tão bons, ou mesmo
muito ruins.
Nos acostumamos em ver sempre o lado bom da vida das
pessoas, e não que elas devam compartilhar os lados ruins, cada um lida de uma
forma com as coisas que passam em suas vidas, mas a partir do momento em que
nos acostumamos tanto em ver esse lado da vida das pessoas, e compartilhar esse
lado de nossas vidas, criamos um muro quando vamos tratar sobre aqueles
assuntos que, muitas vezes estão dentro da gente mas preferimos deixar eles lá
porque não são tão agradáveis e confortáveis assim quanto os outros. Me
perguntei por que quando usamos a rede social para tratar de assuntos mais
profundos, isso acaba não sendo uma coisa normal, como se eles fossem assuntos
que não se passam em nosso dia-a-dia, que andam em nossas mentes desde o
momento que acordamos até o momento em que vamos dormir, e deduzi que pelo fato
de eles serem assuntos mais delicados, preferimos não comentar. E assim nós os
tornamos assuntos anormais, diferentões, assuntos de blogueirinha, ou do que
você preferir chamar, o que deveriam ser vistos como coisas normais que
passamos em nossas vidas, em decorrências das situações em que vão nos
aparecendo.
Então depois de refletir sobre tudo isso, resolvi ser quem
eu sou e compartilhar um pouquinho sobre o que passa aqui dentro de mim.
Esse ano vim parar em outro país,
me encontro nesse exato momento e daqui mais uns meses na Alemanha, longe da
minha cultura, fora de minha casa, longe dos meus pais, irmã e de todas as
pessoas queridas da minha vida, sem o meu quarto com todas as minhas roupinhas
e minha caminha que eu dormi por longos anos da minha vida, sem meu cachorro,
minhas gatinhas, minha academia querida e por fim, minha tão amada mother
language, chamada português. Mas ao mesmo tempo que estou longe de muita coisa,
estou perto de outras tantas boas. Ando conhecendo pessoas incríveis, novos
lugares, ganhando novas experiências, falando mais de uma língua, aprendendo a
reconhecer as oportunidades que a vida me dá e a reconhecer todas as coisas boas
que me acercam, principalmente a importância que certas pessoas fazem para
minha vida. A partir do momento em que embarquei naquele avião dia 16 de
fevereiro de 2017, ando enxergando um outro lado da vida, tendo novas perspectivas
de mundo e entendendo o como as coisas realmente não são do jeito que
imaginamos ser. Mal imaginaria eu o quantas coisas boas uma simples saída me
meu país poderiam me oferecer, e foi aí que entendi qual é a dessa de sair de
sua zona de conforto, e tenho que te dizer que é uma das melhores coisas que você
deveria fazer consigo mesmo.
Resolvi fazer esse intercâmbio no
meio do ano passado para o começo desse ano, acho que foi a decisão mais rápida
que já tomei em minha vida. E sim, que loucura, tive que resolver as coisas em
meio ano, foi tudo tão rápido que nem vi o tempo passar. Se vocês pensarem em
uma pessoa indecisa, aqui estou eu, mas não foi dessa vez que passei horas ou
mesmo dias pensando se aquilo seria bom ou certo para eu fazer naquele momento
da minha vida, eu só fui. Na realidade, eu penso em fazer intercâmbio desde
muito tempo, mas sabe quando você só tem uma ideia, ou um desejo guardado em
sua mente e sabe lá quando vai colocar em prática? Foi exatamente isso, nunca
alimentava essa ideia. E foi até que chegou um dia, uma luz se ascendeu dentro
de mim e cheguei em casa falando para o meu pai que era isso que eu queria. E
ele, que sempre apoiou tanto a mim quanto minha irmã a realizarem essa experiência,
já foi logo buscando as coisas para ela acontecer. E assim vim parar na
Alemanha, e se por acaso você estiver se perguntando se eu já falava alemão
antes de vir, pelo menos um pouco, já te respondo que não – ok, um “oi, boa
noite/dia; tudo bem?” eu até sabia hahaha. Mas assim digo que o universo me
mandou para cá, aqui estou e assim tinha que ser.
Cada dia aqui é um novo desafio
para mim. Cada dia são novas coisas a enfrentar e diferenças a vivenciar. As
coisas boas que eu tanto falei que esse intercâmbio anda me trazendo, vem em decorrência
de todos os obstáculos que eu ando enfrentando dia-a-dia, com todo esse choque
intercultural, distância da minha família, e todos os outros desconfortos. Um
dia estou super feliz, e no outro me bate um vazio dentro do meu peito, é tudo
um processo, não é sempre que vou estar triste por não estar em casa, mas
também não é sempre que vou estar feliz por estar aqui. No momento já estou
conseguindo encontrar um equilíbrio emocional, estou aqui já fazem 4 meses e as
coisas estão andando muito bem, posso dizer agora que estou muito feliz, já
consigo enxergar grandes mudanças dentro de mim. Cada situação que me aparece
me faz conhecer cada vez mais um pouco de mim, entendendo do que eu sou capaz,
descobrindo minhas motivações e o mais importante – minha essência.
E com
todas essas coisas que falei aqui que andam acontecendo nessa fase da minha
vida, entrei em um processo de busca, de autoconhecimento. E todos os dias ando
buscando outras formas de lidar com meus pensamentos, emoções, com as pessoas
que me acercam agora, e tudo que me passa diariamente. Acredito muito no
sentido da vida, e que nada acontece por simplesmente acontecer, então sei que
todos os meus dias aqui são valiosos, e tem um grande motivo, como os seus dias
ai também.
Bom,
finalizo esse texto dizendo que daqui para frente vou começar a compartilhar um
pouquinho dos meus pensamentos, reflexões que passam sobre minha mente nesse
meu intercâmbio de 2017, como ando lidando em questão de saudades, em momentos
que não me sinto tão bem aqui, e sobre o que tenho feito para meus dias se
tornarem inesquecíveis, com paz e tranquilidade dentro de mim.
Gratidão.
Um beijo, Bianca Paoleschi.
Meu canal no youtube (já postei uns vídeos lá): Bianca
Paoleschi
Meu insta: biancapaoleschi – lá eu também posto meus textos.
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