Um pouco de água salgada

Nenhum texto alternativo automático disponível.




Só me deu uma vontade imensa de vir pra cá, deitar no sol e escrever. 
Agora só preciso disso: praia, sol, uma caneta e um caderno. Escutar o som do mar, das ondas se quebrando, lambendo a areia e se refazendo novamente, sentir o toque do sol sobre minha pele, ver o horizonte e admirar o céu se misturando com o mar. Admirar o quanto a natureza consegue ser tão ela. Cada onda quebrando do seu jeitinho, cada tom de azul do mar se manifestando de sua forma, cada movimento sendo simplesmente o que ele é. Cada pedra no lugar que a natureza a colocou, e as outras, em seu devido tempo de transformação á areia. Algumas mais pretas que outras, outras mais claras, foscas ou brilhantes. Não importa, elas apenas estão, e a cada segundo que estão, são. Quem elas tem que ser.
No momento eu me encontro deitada em uma cadeira na praia, com a cabeça em direção ao mar, escrevendo nesse meu caderninho. Escrevendo sobre coisas que passam dentro de mim. No momento esta sou eu e esta estou. Posso saber o que vou fazer mais tarde, mas não tenho a minima ideia do que pode acontecer. A vida segue cheia de incertezas daquelas as quais sempre achamos dominar. Ou melhor, não achamos nada, nós apenas acreditamos que tudo se estabelecerá da mesma forma.
Hoje eu estou aqui. Hoje eu estou ali. Hoje eu estou assim. Hoje eu estou outro assim.
Pode ser que eu olhe para o mar e diga que ele é o mesmo sempre, indo e vindo até a areia. Aquilo e mais nada. Mas ai eu me lembro que dentro de dele se passam um milhão de transformações que não estão ao nosso ver. Igual uma árvore, uma pedra ou uma montanha. Nem as ondas se formam ou se quebram da mesma forma. Cada uma tem o seu próprio jeito e a cada milésimo de segundo alguma coisa se transforma, seja você uma pedra ou um animal. E a cada uma dessas transformações você é aquilo que você é naquele momento, assim, você está aquilo que você está naquele momento. E não vou dizer 'você e a natureza' pois não vou diferir duas coisas que são uma só. Viemos da natureza e assim a somos. Cada um com sua genética, seu psicológico, físico e modo de se transformar. E o que eu considero mais importante nesse aspecto todo de se transformar é o estar e o ser enquanto estar.
E estar aonde?
Estar aqui e aonde você estiver. É realizar cada ato com concentração, saber o que em cada palavra está sendo falado (e não de saber em termos de intelectualidade ou sabedoria apenas consciência), o que em cada ação está sendo transmitido. É sorrir de forma espontânea, soltar aquela risada que vem de dentro de você, bem de dentro daquele lugar onde você é inteiramente inteiro e ninguém pode, ou tem a capacidade de te tirar de você mesmo. E assim me encontro grata onde estou e onde meu hoje de amanhã estará. 

B.P

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O QUE VOCÊ QUER SER QUANDO CRESCER?

Ame-se.

Papo de louco